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A Praia da Boa Viagem









A Praia de Boa Viagem é a praia urbana mais famosa da cidade do Recife, capital do estado de Pernambuco. Tendo aproximadamente sete quilômetros (7 km) de extensão e estando situada no bairro de Boa Viagem (Zona Sul da capital pernambucana), é delimitada pela Praia do Pina (Praia do Sport) em um lado e pela Praia de Piedade do outro. A maior parte da praia de Boa Viagem é protegida por uma barreira de recifes naturais, os quais deram nome à cidade.
Era área de pescadores e depois de veraneio para os recifenses, até a chegada dos edifícios nas décadas de 1940 e 1950. Tais edifícios beira-mar criam sombras sobre a praia, o que levanta críticas. No entanto, desde a requalificação, a orla da praia dispõe de parque, jardim e espaços de prática desportiva. [1]
Na maré baixa formam-se várias piscinas naturais rasas, com águas mornas e transparentes, ao longo da praia. Também durante a maré baixa é possível andar sobre os recifes, que são relativamente planos e largos (mas escorregadios). Quando a maré sobe, os arrecifes ficam completamente cobertos pela água. Na Praia de Boa Viagem há quiosques padronizados, ciclovia, pista de cooper, chuveiros, quadras de vôlei e tênis e equipamentos para musculação.

Ataques de tubarão

Placas de sinalização sobre o risco de ataque de tubarão na Praia de Boa Viagem.
A maior parte da praia de Boa Viagem é protegida por uma barreira de recifes naturais, e as autoridades não recomendam o banho além dos recifes, para evitar ataques de tubarões. Além disso, o surfe atualmente é proibido, embora o antigo governador do estado tenha autorizado, no início do ano de 2006, a instalação de uma rede de proteção contra os tubarões. Em 2007, o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) iniciou o processo de instalação, nos tubarões capturados, de sensores que possibilitam a monitoração via satélite, visando identificar o momento de aproximação dos animais da costa, numa área que compreende a Praia do Paiva até o Pina, para então retirar os tubarões da localização de risco. Hoje em dia os ataques são mais raros, porém as restrições permanecem.[2]
Segundo especialistas, os ataques de tubarão no litoral recifense são resultado do impacto ambiental provocado pela construção do Porto de Suape, que exigiu o aterramento de dois estuários onde os tubarões-touro davam à luz.[3] Outros fatos contribuem para o aparecimento de tubarões na área da Praia de Boa Viagem: as correntes marinhas direcionam os animais para esse trecho de 20 quilômetros; e nesse ponto os animais encontram dois canais de águas profundas, e quando o tubarão se desvia da rota migratória comum e entra nesses canais, há grande risco de contato com pessoas. Como o ser humano não faz parte do cardápio alimentar dos tubarões, a maior parte dos ataques acontece por engano: quando a água está turva, o tubarão que está à caça por alimento não consegue perceber a diferença entre uma pessoa e um peixe grande.[4]
O banho é seguro nas muitas piscinas naturais que se formam ao longo da Praia de Boa Viagem durante a maré baixa, porém não é recomendado ultrapassar os recifes.
Uma das praias mais perigosas do mundo, Boa Viagem reúne condições ideais à presença do tubarão mais agressivo do planeta, o tubarão-touro (bull shark). Ser vivo com o maior índice de testosterona da Terra, o tubarão-touro tem preferência por áreas de estuários com águas quentes, caso do Recife. Outra espécie muito agressiva presente na Praia de Boa Viagem é o tubarão-tigre.[5][6][7][8]
Foram contabilizados 59 ataques de tubarão desde o ano de 1992, com 24 mortes, no trecho contínuo entre as praias do Carmo e do Paiva, no qual está inserida Boa Viagem. A última vítima fatal foi a estudante paulista Bruna Gobbi, mordida por um tubarão em julho de 2013 na Praia de Boa Viagem ao ser arrastada pela correnteza e sofrer princípio de afogamento: apesar de a praia possuir 88 placas de advertência, alguns banhistas insistem em entrar no mar mesmo sob condições que favorecem os ataques, como maré alta, lua cheia e a água turva devido às chuvas no mês de julho.[9][10][11][12]
Recife torna o Brasil o quarto país do mundo em número de vítimas fatais por ataques de tubarão, atrás somente da Austrália, dos Estados Unidos e da África do Sul.[13]

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